Por acaso, no mesmo dia tive contato com este texto de Saramago e com o filme Dúvida, de John Patrick Shanley, e parece que um foi feito com base no outro.
Por mais que o aparente objetivo central de Dúvida seja tratar sobre um possível caso de pedofilia, o que realmente permanece no filme é a questão do embasamento da fé. A irmã Aloysius, personagem de Meryl Streep que parece tão fervorosamente católica, está, na realidade, tendo grandes questionamentos a respeito da vida que leva e das razões para ser como é. Após ter enfrentado o padre Flynn (Philip Seymour Hoffman) com fúria e certeza, a freira passa a analisar o valor dos títulos na Igreja Católica. Se até um padre exemplar é alguém capaz de abusar de um menino, e nem esta condição "espiritual" é capaz de frear tais atos, o que mais teria este poder?
Nesta descrença também se encontra o texto de Saramago, que tem uma abordagem mais agressiva e irônica. O autor, declaradamente ateu, mostra neste post a patética situação em que se encontram a Igreja e seus regentes. Uma instituição falida e um grupo de pessoas descompassadas, incapazes de verem a realidade atual, insistem em ficar num modelo de pensamento e comportamento medievais.
Sinto-me desmotivada ao ver essa gente cega, defensora de uma amoralidade tida como ética pura e simplesmente por ser perene. Mas não deveria sê-lo. A instituição católica deveria ter seu fim, e o mais assustador é que há inúmeros fatos que a deixam ridicularizada, mas a embriaguez do povo é tão grande que não se deixa ver a ruína do Papa e seus seguidores. "Pelos vistos, parece que alguém terá de atirar um sapato a um desses cardeais".
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11.1.09
Da série: "Imposições Sociais"
Numa recente conversa, com uma pessoa também recentemente presente em minha vida, debatíamos a necessidade de títulos e a dificuldade "dos outros" de entenderem certos modelos de relacionamento.
Desde cedo, nos é imposta a obrigação de pôr tudo em pratos limpos, digamos, para dar à sociedade o conforto de conhecer nossos passos e nossa linha de raciocínio. Mas qual é o benefício que isso nos traz? Bisbilhotice é benefício?
Certos rumos que tomei na vida me fizeram dar murro em ponta de faca, até descobrir que, na realidade, eu não precisava insistir no que me foi imposto, e poderia construir um modelo novo.
Porém, este processo de moldar o ponto de vista é absolutamente pessoal e intransferível, de modo que tentar fazer com que se entenda o que você vive é o verdadeiro murro em ponta de faca. Por vezes, os clichês sociais criados há séculos se impõem ao raciocínio lógico. O que para os outros pode parecer submissão ou anulação de si mesmo, para você pode significar respeito pela individualidade do outro e pela sua também.
Para que tentar fazer com que um elemento exterior entenda o que parece estranho, se é esta excentricidade aquilo que lhe satisfaz?
Desde cedo, nos é imposta a obrigação de pôr tudo em pratos limpos, digamos, para dar à sociedade o conforto de conhecer nossos passos e nossa linha de raciocínio. Mas qual é o benefício que isso nos traz? Bisbilhotice é benefício?
Certos rumos que tomei na vida me fizeram dar murro em ponta de faca, até descobrir que, na realidade, eu não precisava insistir no que me foi imposto, e poderia construir um modelo novo.
Porém, este processo de moldar o ponto de vista é absolutamente pessoal e intransferível, de modo que tentar fazer com que se entenda o que você vive é o verdadeiro murro em ponta de faca. Por vezes, os clichês sociais criados há séculos se impõem ao raciocínio lógico. O que para os outros pode parecer submissão ou anulação de si mesmo, para você pode significar respeito pela individualidade do outro e pela sua também.
Para que tentar fazer com que um elemento exterior entenda o que parece estranho, se é esta excentricidade aquilo que lhe satisfaz?
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