ela é graciosa, e flutua pelas palavras com uma leveza que nunca vi na vida.
tem os olhos grandes, expressivos, que trazem bem no fundo um lugar embaçado, um mistério daqueles sem solução.
me conta sobre os poetas, os pensadores, as dores da alma, as nuances daquela inquietude de se saber pequena no mundo.
o que ela não sabe é que é maior que eu, que todos aqueles que já conheci. é a maior do mundo.
é a maior do mundo, esse onde vivemos, e tem um universo dentro dela que é maior ainda. um infinito particular, que me intriga e me tira o sono.
tem um sorriso que revela e esconde.
parece que nunca vou conseguir conhecer tudo que mora dentro dela.
ainda bem.
23.4.09
15.4.09
Transformando elefantes brancos em formigas
Como uma torneira quebrada, de gota em gota, o tempo vem trazendo aquela força que você não sabia que tinha, ou talvez nunca tenha tido mesmo, e foi surgindo, crescendo, feito massa de bolo. O tempo fermenta o escudo.
O tempo traz mudanças de perspectiva, traz novidades. O tempo tem até trazido tranquilidade. Daquela persistente.
Sinto a diferença a cada dia. Acho até que o tempo destrói a inércia. Ou pelo menos nos faz ver que a inércia é perda de tempo, e aí nós mesmos a destruimos.
Que nem no "Abril Despedaçado", só que ao contrário. Quando o relógio diz "menos um, menos um", na verdade, ele diz "mais um, mais um"...
O tempo traz mudanças de perspectiva, traz novidades. O tempo tem até trazido tranquilidade. Daquela persistente.
Sinto a diferença a cada dia. Acho até que o tempo destrói a inércia. Ou pelo menos nos faz ver que a inércia é perda de tempo, e aí nós mesmos a destruimos.
Que nem no "Abril Despedaçado", só que ao contrário. Quando o relógio diz "menos um, menos um", na verdade, ele diz "mais um, mais um"...
6.4.09
A eterna batalha das instâncias psíquicas
Eu fico aqui batendo o pé, agoniada, contando os segundos. Olho pro celular, pro computador, pro relógio, relembro/releio o que já foi dito/escrito, alt tab alt tab, quanto tempo já tem a ausência? Quanto tempo falta pra presença? Presença da presença, não a presença da ausência, que essa tá indo embora. Tic tac tic tac apitou fez barulho abri sorri e digito sem parar, louca pela resposta. Estou inebriada. Inebriada. Como se estivesse com sono. Os olhos falham. Please, don't rain on my parade. Me deixa ir, me deixa ver, deixa o risco me atingir. To guardando aqui dentro. Nunca quis tanto guardar. Mas tá aqui. Prometo. Entende? Não? Sei que sim.
30.3.09
Paciência
Paciência. Tem ciência no nome. Será que, de tão difícil de encontrar, é realmente um estudo or something? Tem curso? Mestrado? PhD?
- O que você estuda?
- Ah, eu tentei vestibular pra paciência, mas não passei, aí resolvi fazer jornalismo mesmo...
É complicado, viu?
- O que você estuda?
- Ah, eu tentei vestibular pra paciência, mas não passei, aí resolvi fazer jornalismo mesmo...
É complicado, viu?
24.3.09
Palavra (e imagem) (en)cantada(s)

"Me atirava do alto na certeza de que alguém segurava minhas mãos
Não me deixando cair
Era lindo, mas eu morria de medo
Tinha medo de tudo quase
Cinema, parque de diversão, de circo, ciganos
Aquela gente encantada que chegava e seguia
Era disso que eu tinha medo
Do que não ficava pra sempre"
Pra quem conhece os versos e viu o filme, acho que não preciso falar mais nada.
O documentário traz um elenco escolhido com imensa sabedoria, de Chico a BNegão. Lirinha, Adriana Calcanhotto, Black Alien, Jorge Mautner, Arnaldo Antunes, etc. Todos eles ligados à palavra escrita e/ou cantada como forma de narrativa, como expressão da alma, da realidade particular e onírica de cada um. As obras de cada um deles parecem ter uma aura que leva seus significados pra algum espaço (físico e temporal) longe daqui, pra trás daqui. É uma gente que acredita no peso das palavras. Que reconfortante ver que eles existem. É o que me motiva na vida, a palavra, ainda mais se estiver acompanhada de imagens.
Mas, que angústia. Essa gente tá se acabando. Sumindo. Tenho medo da gente encantada que não fica pra sempre. Que saudade do que não vivi, da motivação que não tive, das ideias que não vi nascerem.
Que dor.
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